quinta-feira, 23 de junho de 2011

''Senado precisa modificar o Código Florestal''

Aos 89 anos, o pai do ambientalismo brasileiro defende que a reforma da lei seja feita com respaldo científico e subsídios


Brasília, 23 de maio. Na véspera da votação do projeto de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente peregrinou pelo Congresso para levar suas contribuições à polêmica proposta do relator Aldo Rebelo (PC do B), que seria aprovada no dia seguinte.

Entre eles estava Paulo Nogueira-Neto, o primeiro a ocupar a pasta, quando ainda era uma secretaria especial no governo militar. Aos 89 anos e se locomovendo com a ajuda de uma cadeira de rodas, Nogueira-Neto fez questão de participar do encontro. "Não queremos prejudicar a agricultura. Estamos pedindo que a reforma do Código Florestal seja feita com respaldo científico", diz ele, um dos mais respeitados ícones do ambientalismo brasileiro.

De sua residência em São Paulo - um espaço de 4 mil m2 reflorestado por ele, com espécies da Mata Atlântica - Nogueira-Neto falou ao Estado.

O sr., com outros sete ex-ministros do Meio Ambiente, levou aos parlamentares contribuições para o novo Código. Como foi?

Eu fui "convocado" às pressas. Num domingo, depois do almoço, a (ex-senadora) Marina Silva me telefonou e pediu para ir imediatamente para Brasília. Fui até o Aeroporto de Viracopos, comprei uma passagem e fui. À noite já estava lá. Nós falamos com o presidente do Senado, da Câmara, todos com boa vontade em nos atender.

Depois vocês foram falar com a presidente Dilma Rousseff.

Fomos falar com a presidente. Pedimos o encontro de última hora, mas ela nos recebeu. E, para nós, foi uma agradável surpresa verificar que as preocupações dela eram praticamente as nossas. Queremos fazer uma legislação que seja eficiente, boa. Não queremos prejudicar a agricultura. Mas também não podemos prejudicar o meio ambiente, agravar o efeito climático.

Houve algum compromisso por parte da presidência?

Dilma absolutamente não concorda com a anistia a quem desmatou. Ela tem compromissos internacionais, está preocupada com os efeitos do desmatamento. Saímos de lá contentes.

Em compensação, a Câmara aprovou a reforma do Código Florestal por 410 votos a favor, 63 contrários e 1 abstenção.

Eu atribuo a grande derrota na Câmara a fatores políticos, que independem de nossa vontade. Grande parte dos deputados que votaram contra nós votou, na verdade, contra o governo. Havia a questão do Palocci (o ex-ministro Antonio Palocci). Mas esse texto não deverá ter vida longa. No Senado, será possível reverter a derrota na Câmara.

Qual a expectativa para as negociações do Código no Senado?

Tudo indica que teremos ainda três ou quatro meses para discutir o assunto no Senado. O que pedimos é a coisa mais lógica: que se reforme o Código com respaldo científico. Nesse tempo será possível informar os senadores dos riscos que o País corre se o Código for aprovado do jeito que está. O Código do Aldo Rebelo tem coisas boas, mas há pontos desastrosos.

Quais são os pontos bons e os desastrosos?

É desastroso o fato de que os Estados poderão dar a palavra final sobre o desmatamento. O texto reproduz o Código antigo em vários pontos, mas lá no meio há um dispositivo que permite aos Estados, sem intervenção da União, derrubar o que quiserem. Já se fala em um desmatamento do tamanho do Paraná. Isso é gravíssimo. Nós queremos uma legislação equilibrada, sem prejuízos à agricultura. A Embrapa merece os maiores elogios, pois aumentou a produtividade. Nisso estamos de pleno acordo, o Brasil precisa de uma agricultura moderna.

Rebelo diz que a lei atual penaliza o produtor. Qual sua opinião?

O problema é a falta de compreensão. Aldo Rebelo acredita que há uma conspiração internacional, que as ONGs querem que o Brasil fique numa condição agrícola difícil. Não conheço nenhuma ONG que tenha criado dificuldades para a agricultura brasileira. Agora, é verdade que as ONGs internacionais estão preocupadas com o desmatamento no Brasil. E nós também estamos. E se não estamos, deveríamos estar, por causa do aquecimento climático.

Governos anteriores incentivaram a ocupação da Amazônia e a derrubada da floresta. Hoje qual seria o caminho para o desenvolvimento sustentável na região?

Primeiro, é preciso um bom Código Florestal para segurar o desmatamento. Segundo, é necessário subsidiar os produtos da floresta para que as populações locais a proteja. Mas temos de dar um passo além, pagar mais do que esses produtos valem, como fazem na Europa. Incluir nessa conta o valor dos serviços ambientais prestados. Se estivesse no governo, faria isso com urgência, para não acontecer o que ocorre no Acre hoje em dia. Os antigos seringueiros estão começando a criar gado para não morrer de fome.

E as hidrelétricas na Amazônia, podem trazer a prosperidade que o governo espera? Como ficam os impactos ambientais?

O aproveitamento dos rios têm de seguir cuidados especiais para reduzir o impacto. É preciso fazer eclusas, para que os peixes possam migrar e os rios sejam aproveitados para navegação. Outra coisa: as represas não podem ser muito grandes. Reservatório bloqueia a migração da fauna terrestre. Mas a energia do futuro é a fusão nuclear, obtida de dois isótopos de hidrogênio. É possível fazer energia barata, abundante, pouco radioativa. A energia do futuro é essa, além dos reforços da solar e eólica. Quando essa energia estiver disponível, as hidrelétricas ficarão obsoletas.

E como fica a exploração do pré-sal no momento em que o mundo busca uma transição para fontes mais limpas?

Não sou contra a exploração do pré-sal, porque o País pode precisar dele para seu desenvolvimento. Mas tem de ser feito de forma ordenada. O Brasil deve plantar grandes extensões de florestas para compensar essas emissões. Também precisamos de planejamento das cidades costeiras. Nós não podemos permitir que ocorra a favelização da Serra do Mar.

Desde que o sr. foi secretário especial de Meio Ambiente (de 1974 a 1986), o que mudou no País em termos de conscientização ambiental?

O País mudou muito. Eu sou testemunha disso. Antes, nós ambientalistas éramos malvistos. A opinião pública, achava que primeiro precisava desenvolver para depois, então, pensar no meio ambiente. Na secretaria, um dos principais desafios era despertar a consciência para isso. Me deram cinco funcionários, três salas e nenhum poder de multar. Fizemos a Política Nacional de Meio Ambiente, durante o governo Figueiredo, que é a base de nossa legislação ambiental.


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110619/not_imp734296,0.php

Fonte:


Igreja Católica anuncia apoio contra o novo Código Florestal Brasileiro

Segundo CNBB, as decisões sobre o Código estão sendo tomadas por uma lógica produtivista, sem levar em consideração a vida

As adaptações do novo Código Florestal Brasileiro, que foi aprovado na Cama dos Deputados no último mês de mais e que tramita no Senado Federal, ganhou mais um ‘inimigo’. Depois de diversas ONGs ambientais, a comunidade cientifica e ambientalistas, agora foi a vez da cúpula da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anunciar seu repúdio ao projeto de lei.

A Igreja vai se aliar as outras entidades contrárias ao Código e, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e de um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente, pretende criar um fórum por meio da CNBB. Todos esses são contrários a flexibilização do usa das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e contra também a proposta feita pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB)/SP) em seu relatório de anistiar os desmatadores.

Com esse novo apoio, reacender as esperanças de projeto de lei ser vetado. No ano passado o apoio da Igreja conseguiu recolher 1 milhão de assinaturas em favor da Lei da Ficha Limpa, aprovado no Congresso Nacional.

A Igreja Católica promete convocar seus fieis “a participar do processo de aperfeiçoamento do Código Florestal, mobilizando as forças sociais e promovendo abaixo-assinados contra a devastação”.

As decisões sobre o código foram duramente criticadas pela CNBB, que segundo a entidade, foram e estão sendo motivadas por uma lógica produtivista que não leva em consideração a vida humana e as fontes da vida.

Além das assinaturas, a CNBB está cobrando que o Senado convoque a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para debater a proposta. A SBPC apresentou ao Congresso Nacional e ao governo federal um estudo preliminar sobre as consequências da mudança do código no aumento do desmatamento.
Até o momento, o Senado não acatou nenhuma das sugestões encaminhadas pela SBPC em carta.
O projeto tramita entre as comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).


http://primeiraedicao.com.br/noticia/2011/06/22/igreja-catolica-anuncia-apoio-contra-o-novo-codigo-florestal-brasileiro

Fonte:

quarta-feira, 1 de junho de 2011

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Senadores já trabalham para mudar lei florestal aprovada pela Câmara

MÁRCIO FALCÃO DE BRASÍLIA DANIEL RONCAGLIA DE SÃO PAULO Cotados para as relatorias do Código Florestal no Senado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já trabalham para mudar pontos polêmicos no texto aprovado pela Câmara.

Luiz Henrique quer alterar a anistia aos desmatadores, enquanto Rollemberg tem na mira as regras para que os Estados participem de regularização ambiental. Luiz Henrique deve fechar o texto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado).

O peemedebista adotou um discurso alinhado com os ambientalistas. "Não quero deixar margem para anistiar quem degradou as áreas para enriquecimento ilícito." O governo rejeita a anistia.

O texto da Câmara legaliza todas as atividades agrícolas em APPs (Área de Preservação Permanente), como várzeas e topos de morros, mantidas até julho de 2008.

Ligado aos ambientalistas, Rollemberg quer reduzir o poder dos Estados na regularização ambiental. A ideia é que o governo federal estabeleça as regras e que os Estados só tenham autonomia para ampliar áreas protegidas.

Pelo texto da Câmara, os Estados terão a prerrogativa de criar seus programas de regularização, o que faz o governo temer mais desmate.

LOBBY

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) acusou na quinta-feira (26) parte dos pesquisadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) de serem financiados pelo "lobby ambientalista" formado por organizações como Greenpeace e WWF.

"A SBPC, quando foi convocada pela comissão especial da Câmara, negou-se a comparecer", disse.

"Quando procurada pelo lobby ambientalista, que paga a alguns dos pesquisadores --paga, porque eu sei--, a SPBC resolveu se manifestar", completou o deputado.

"O lobby ambientalista internacional instalado no Brasil se habituou durante 20 anos a usurpar o direito da Câmara de legislar." O deputado classificou também a imprensa estrangeira como desinformada.

"Países que fazem guerra e não preservam nada da sua vegetação nativa vêm criticar o país que mais preserva no mundo?", questionou.

Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5367

Senado não tem pressa para votar Código Florestal, diz Sarney

MÁRCIO FALCÃO DE BRASÍLIA O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta quarta-feira que "não há restrição de prazo" para que a Casa analise a reforma do Código Florestal. O texto foi aprovado na madrugada desta quarta-feira pela Câmara.

Segundo Sarney, os senadores vão trabalhar para tratar das questões que não foram "dirimidas" na Câmara.

"O Código Florestal vem para o Senado e vamos examinar dando todos os prazos necessários para que esse debate se aprofunde, para que as questões que não foram dirimidas na Câmara possam ser resolvidas aqui".

Sarney disse que o Senado fará uma discussão "ampla e aberta". "Não temos restrição de prazo."

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que pedirá à presidente Dilma Rousseff a prorrogação, em um prazo de três a quatro meses, da entrada em vigor do decreto que pune com multa os fazendeiros que não estiverem em conformidade com a lei ambiental.

O prazo para que o decreto começasse a valer --e que já havia sido adiado antes-- é 11 de junho.

Os ruralistas pedem mais tempo com o objetivo de que o novo Código Florestal, cujo projeto foi aprovado ontem pela Câmara, entre em vigor e traga alterações que beneficiem os fazendeiros.

Hoje, argumentam que grande parte dos produtores seriam passíveis de punição pelo decreto.

A proposta aprovada pela Câmara traz pontos que desagradam o Palácio do Planalto como a legalização das atividades agrícolas em APPs (Área de Preservação Permanente) mantidas até julho de 2008, que na prática representa uma anistia.

Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5368

Plenário aprova novo Código Florestal, que segue para o Senado

Em meio ao embate sobre a convocação do ministro Palocci, o Plenário aprovou, na noite desta terça-feira (24/5), o novo Código Florestal.

A proposta, que agora segue para o Senado, legaliza o uso das Áreas de Preservação Permanente já ocupadas - as chamadas APPs. Também prevê anistia para quem desmatou até o ano de 2008.

A polêmica maior foi em torno da Emenda 164, aprovada na madrugada, depois de muito bate-boca. Ela estabelece que os estados é que definem, de fato, o que pode ser cultivado nas APPs.

O governo federal é contra: quer ter o poder de definir sozinho as atividades permitidas. Mas a Emenda 164 acabou sendo aprovada graças ao PMDB, partido da própria base do governo.

Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5371

Dilma espera que Senado siga posição do governo sobre Código Florestal

A presidente Dilma Rousseff afirmou na quarta-feira (25/05) que espera que a base aliada, no Senado, siga a posição do governo na votação do Código Florestal.

Tentará construir uma solução negociada para impedir que se repita na Casa o impasse ocorrido na Câmara em torno da votação do código. Reiterou ainda a posição contrária à emenda do PMDB, aprovada na Câmara, que transfere aos estados competência para legislar sobre produção em áreas de preservação permanente (APPs). “Não sou a favor da emenda. Fui contra a aprovação da emenda e, obviamente, respeitando a posição de todos que divergem de mim, continuarei firme defendendo a mudança dessa emenda no Senado”.

Dilma afirmou que tem a prerrogativa do veto, caso seja aprovado um texto que prejudique o meio ambiente. “Não abrirei mão do compromisso com o Brasil. Tenho a prerrogativa do veto e se julgar que qualquer coisa prejudique o Brasil vetarei. A Câmara pode derrubar o veto e tem ainda as instância judiciais.” Adaptado de Agência Brasil, 26/05/2011

Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5372

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ministra do Meio Ambiente: relatório de Aldo está longe da proposta do governo

Governo não tem intenção de prejudicar a votação do Código Florestal

Ao final da reunião com a bancada do PT, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o governo não tem intenção de prejudicar a votação do Código Florestal (PL 1876/99), prevista para amanhã. A ministra reconheceu, no entanto, que o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ainda está longe da proposta defendida pelo governo.

Izabela Teixeira ressaltou que o governo continua negociando com a intenção de construir um texto o mais consensual possível, “que dê segurança jurídica ao País e condições aos agricultores de produzir de forma sustentável.”

Fonte: www.camara.gov.br

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5272

O Código Florestal e a Ciência: contribuições para o diálogo

A SBPC e Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançam o livro "O Código Florestal e a Ciência: contribuições para o diálogo".

Nesta publicação, são apresentados os resultados dos estudos realizados por um grupo de trabalho, instituído pela SBPC e Academia Brasileira de Ciências (ABC) em junho de 2010, que analisou as questões relativas ao Código Florestal brasileiro à luz do conhecimento científico e tecnológico. De carater interdisciplar, os estudos fornecem dados e argumentos técnico-científicos para subsidiar as discussões em torno de mudanças no Código Florestal propostas no substitutivo ao Projeto de Lei nº 1.876/99.

LFonte: Adaptado de http://www.sbpcnet.org.br/site/home/

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5273

Câmara pode votar hoje o novo texto do Código Florestal

PV e Psol vão obstruir a votação. Relator da proposta aceitou maioria das mudanças propostas pelo governo.

O Plenário poderá votar nesta noite o Projeto de Lei 1876/99, que cria um novo Código Florestal. Ontem, o Plenário aprovou o regime de urgência para a proposta. A votação está prevista para sessão extraordinária a ser realizada depois de sessão marcada para as 13 horas – em que o governo quer votar a Medida Provisória 521/10, com uma emenda que flexibiliza as normas de licitação para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. A pauta desta sessão (das 13 horas) está trancada por 12 MPs.

O presidente da Câmara, Marco Maia, reconheceu que a inclusão da proposta que altera o Código Florestal na pauta do Plenário não significa que será votada, porque existem instrumentos regimentais que podem atrasar a votação.

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) adiantou que o partido vai usar todos os instrumentos para obstruir a votação. O líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), reafirmou que o partido também vai tentar obstruir a votação. “O ponto fundamental é decidir se o código será voltado para o futuro ou para regulamentar coisas do século passado. Se querem transformar a Amazônia em nova fronteira agrícola, a ser vendida, ou se querem a valorização dos biomas da região”, assinalou.

Negociações

Ontem, o relator da proposta, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), reuniu-se no Palácio do Planalto com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Luiz Sérgio, e o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Após a reunião, o líder disse que Aldo aceitou mudanças pedidas pelo governo, à exceção da reserva legal para as pequenas propriedades.

O relator quer que a reserva leve em consideração a parte da propriedade excedente a quatro módulos fiscais. O governo quer que essa exceção valha apenas para a agricultura familiar. Aldo, por sua vez, deu rápida entrevista após a reunião, afirmando que estava próximo de um acordo com o governo.

Durante a tarde, houve também reunião da bancada do PT com os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Wagner Rossi (Agricultura). O encontro culminou com a decisão do PT de apoiar o pedido de urgência para a proposta, diante do compromisso do relator de acolher as sugestões de alteração feitas pelo governo.

Maior bancada da Câmara, o PT vinha contestando alguns pontos do relatório e chegou a ameaçar obstruir a votação se não houvesse acordo.

Interesse social

Outro aspecto que o governo quer mudar no texto é a possibilidade de autorização para desmatar áreas de preservação permanente (APPs) para fins de interesse social, já que a produção de alimentos pela pecuária extensiva ou por monoculturas poderia ser considerada de interesse social.

Mata ciliar

Nesta segunda-feira (2), Rebelo já havia aceitado manter a proteção das margens dos rios (matas ciliares) em 30 metros para os rios menores (até 5 metros de largura). O primeiro substitutivo pretendia reduzir essa proteção de mata para 15 metros.

Um acordo permitiu que, apenas no caso de APPs já devastadas às margens de rios de até 10 metros, o agricultor ou morador da área seja obrigado a reconstituir a mata ciliar pela metade, ou seja, 15 metros. Nos demais casos, a área deve ser mantida integralmente. Para Rebelo, isso trará prejuízos à agricultura.

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5277

Falta de acordo sobre reserva legal e APP adia votação do Código Florestal

Marco Maia garantiu que a proposta começa a ser votada na terça-feira, havendo consenso ou não. Na manhã de terça, os líderes da base terão nova reunião em busca de um acordo.

Após um dia de intensas negociações, o presidente da Câmara, Marco Maia, anunciou o adiamento da votação do Código Florestal (PL 1876/99) para a próxima terça-feira (10). Marco Maia se reuniu nesta quarta-feira com o relator do código, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), líderes de partidos da base e ministros, durante várias horas. No início da noite, foi decidido o adiamento da votação. Marco Maia garantiu, no entanto, que a proposta começa a ser votada na terça, havendo consenso ou não.

O presidente afirmou que, nos últimos dias, o relatório sofreu várias alterações, e que o prazo de uma semana vai servir para que os parlamentares possam se inteirar do texto que será votado em Plenário. "Há um entendimento que nós temos de caminhar para um acordo que possibilite a votação sem que lá na frente se tenha vetos.” Na opinião de Maia, é importante também o avanço na proteção do meio ambiente junto com a garantia da produção dos agricultores.

Último esforço

Durante as negociações, os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Agricultura, Wagner Rossi; e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, foram convocados para tentar fechar um acordo que não houve. “O adiamento é o último esforço para a conclusão de um grande pacto sobre o novo código”, afirmou Luiz Sérgio. O ministro assinalou que o código florestal é um tema que envolve parcela significativa da população brasileira e sua negociação não pode promover “vencedor nem vencido”.

Luiz Sérgio anunciou para a próxima terça-feira pela manhã uma reunião de todos os líderes da base com os ministros envolvidos no tema Código Florestal em busca de um texto de consenso.

O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), admitiu que a maioria dos partidos da base apoia o relatório de Aldo, enquanto que o governo cobra mudanças no trecho relativo às áreas consolidadas (já plantadas) e à recomposição da reserva legal.

“A maioria da base está com o relatório”, declarou Vaccarezza após a reunião que decidiu pelo adiamento. “Há 98% de acordo com o relator, não adianta polarizar em um texto que está quase consensual”, declarou.

Divergências

As divergências entre governo e relator não diminuíram ao longo do dia. Quanto à recomposição da reserva legal, o governo exige que a isenção seja somente para as propriedades de agricultura familiar, prevalecendo a situação de 2008. Para o governo, as demais propriedades, independentemente do seu tamanho, não devem ser dispensadas de cumprir essa exigência. Para Aldo Rebelo, as propriedades com até quatro módulos fiscais deveriam ser incluídas nessa isenção.

Outro ponto em que não houve acordo diz respeito à definição da área de preservação permanente (APP) em propriedades já consolidadas, ou seja, desmatadas até julho de 2008. Aldo sugere que esses proprietários sejam obrigados a recuperar apenas 15 metros de vegetação nas margens dos rios de até 10 metros largura. Já para o governo, o benefício deveria estar restrito às propriedades de agricultura familiar.

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5279

Líderes e ministros tentam novo acordo para votar Código Florestal

Líderes partidários, governo e o relator do novo Código Florestal (PL 1876/99), farão mais uma tentativa de acordo.

Líderes partidários, governo e o relator do novo Código Florestal (PL 1876/99), deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), farão mais uma tentativa de acordo sobre os dois pontos de divergência que ainda restam sobre o texto. Está prevista para terça-feira (10) uma reunião entre os ministros das áreas envolvidas com o tema - do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Agricultura, Wagner Rossi; e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio - e os líderes dos partidos na Câmara que apoiam o governo. No mesmo dia, à noite, o projeto deve ser colocado de novo em votação no plenário.

Mesmo nas conversas em busca de acordo, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), adianta que a posição do Palácio do Planalto será mantida: “O governo não cederá. Chegamos a posições consolidadas e queremos convencer o relator e a base de que é melhor caminhar na posição do governo.”

Pontos polêmicos

Um dos pontos do projeto do novo Código Florestal que ainda geram polêmica entre governo e relator é a recomposição da reserva legal, a área que toda propriedade rural precisa ter de preservação de mata nativa. Ela varia de 20% a 80% do tamanho do terreno, dependendo da região do País. Com a nova lei, quem desmatou essa reserva além do que é permitido vai ter de replantar até o terreno ficar com a quantidade de vegetação nativa que tinha em 2008.

Aí está a divergência: o deputado Aldo Rebelo diz que propriedades com até quatro módulos fiscais, ou seja, com até 440 hectares, seriam perdoadas dessa obrigação. Já o governo quer que só agricultores familiares sejam isentos.

O outro ponto de discordância é quanto à recomposição da vegetação ao redor dos rios considerados pequenos - com até 10 metros de largura. A lei atual (4771/65) diz que é preciso haver 30 metros de mata em cada margem do rio. O relator do Código Florestal propõe que os produtores que desmataram essa faixa tenham de replantar 15 metros. Já o governo quer que os proprietários de terra replantem todos os 30 metros, exceto os produtores familiares.

Ação no STF

Além de envolver o governo e o relator do projeto, o debate também opõe ambientalistas e ruralistas. O Partido Verde, inclusive, entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a votação do Código Florestal no plenário da Câmara. O STF ainda analisa a solicitação.

O coordenador da bancada ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), diz que o pedido continua valendo para tentar barrar a votação de terça-feira: “Ainda não houve nenhum tipo de entendimento. Mandamos nossa proposta a assessorias, e técnicos têm conversado. Vamos deixar o mandado de segurança como está e vamos esperar. Se chegarmos a algum acordo, e espero que isso ocorra, aí vamos retirar o mandado de segurança."

O projeto do novo Código Florestal foi colocado em votação no plenário da Câmara na quarta-feira (4), mas, por causa da falta de acordo, a análise foi adiada por uma semana. A proposta tramita na Casa há 12 anos.

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5280

Líderes e ministros tentam novo acordo para votar Código Floresta

O líder da bancada petista na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP), diz que sem acordo entre o governo e o relator Aldo Rebelo (PC do B-SP) o partido não votará a proposta de revisão do novo Código Florestal.

votação está prevista para terça-feira (10/5).

Dois pontos ainda não estão resolvidos: a desobrigação de manter e recuperar área de reserva legal para propriedades com até quatro módulos fiscais (o que pode variar de acordo com municípios de 20 a 400 hectares) e a legalização de atividades agrícolas "consolidadas" em áreas de preservação permanente (APPs).

Segundo Teixeira, se Rebelo não mudar sua posição quanto a estes dois pontos a votação terá de ser adiada novamente. "Ainda que novas propostas sejam apresentadas, sem um consenso em torno desses dois pontos dificilmente haverá votação", diz Teixeira.

Rebelo desmente informações de que a bancada petistas esteja "rachada". "A bancada está unida entre si e unida com o governo", diz.

Nesta segunda-feira (9/5), a ex-ministra Marina Silva disse que encaminhará uma nova proposta ao governo de revisão do código, o que pode atrapalhar as negociações.

Ao longo do dia, Rebelo esteve reunido no planalto junto com representantes do governo e com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A expectativa de Vaccarezza é apresentar uma proposta final de consenso em almoço com os demais líderes dos partidos na Câmara nesta terça-feira.

FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?tit=sem_acordo,_bancada_do_pt_nao_vota_codigo_florestal&id=5285

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Acordo entre o Serviço Florestal e FSC irá estimular boas práticas de manejo florestal

Serviço Florestal Brasileiro e o Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council - FSC Brasil) assinaram nesta quinta-feira passada, 31 de março, um acordo de cooperação técnica com o objetivo de fortalecer a implementação das práticas de manejo em florestas nativas e de criar condições para que a sociedade tenha a garantia de produtos sustentáveis.

A parceria prevê a realização de oficinas e capacitações sobre manejo e certificação voluntária, além da elaboração de material para explicar os procedimentos necessários para se tornar um produtor de madeira ou de produtos não madeireiros com os critérios reconhecidos para entidade.

As iniciativas que se beneficiam com o acordo abrangem as concessões florestais e o manejo comunitário. "As concessões são uma oportunidade única de a certificação aumentar sua participação na Amazônia", afirma o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel. Existem hoje mais de 1 milhão de hectares em diferentes estágios do processo de concessão na região Norte.

Segundo o presidente do FSC Brasil, Estêvão Braga, a parceria ajuda a harmonizar os esforços para promover o manejo ambiental, social e economicamente correto e aproxima duas ferramentas que incentivam o manejo florestal sustentável, as concessões e a certificação florestal.

"A nossa ideia é que os concessionários, que já fazem o bom manejo florestal porque a regra pede isso, dêem um passo a mais e obtenham a certificação, que permite acessar mercados que só compram madeira certificada e também se diferenciar no mercado", afirma Braga. Apesar de o consumidor estar cada vez mais exigente com relação à sustentabilidade, o presidente afirma que falta madeira certificada no mercado. "Só 3% da produção na Amazônia é certificada."

COMUNIDADES - O acordo entre o Serviço Florestal e o FSC Brasil pretende estimular também o bom manejo florestal realizado por agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, que desempenham um importante papel para a conservação da floresta.

"As comunidades manejam uma boa parte da região amazônica. Milhares de famílias vivem da floresta e a ideia é estimular o bom manejo dentro dessas áreas. As comunidades são, em última análise, os guardiões da floresta", afirma Braga.

No Acre, a certificação voluntária em uma cooperativa trouxe benefícios para a floresta e para a qualidade de vida das famílias, que tiveram um aumento médio de quase R$ 6 mil reais por ano na renda e que, em alguns casos, ultrapassou R$ 15 mil. Os produtos que eles comercializam obtêm maior valor agregado e mostram que a floresta em pé também gera riqueza.


FONTE:http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5163

Serviço Florestal, Fundação Roberto Marinho e Fundo Vale unidos pela qualificação profissional

Uma ação que une Serviço Florestal Brasileiro, Fundação Roberto Marinho, Fundo Vale e outras instituições vai difundir informações sobre a importância do manejo de florestas e capacitará profissionais para atuar no setor por meio do projeto Educação para o Manejo Florestal.

A iniciativa surgiu com o objetivo de aumentar a oferta de profissionais qualificados na Amazônia para trabalhar com a extração sustentável de madeira e de produtos não madeireiros. Estima-se que, em curto prazo, sejam necessários pelo menos 10 mil trabalhadores treinados para essas atividades.

"A demanda por profissionais qualificados para o manejo na Amazônia é grande e tende a aumentar com as concessões e com o manejo florestal comunitário", afirma o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel.

Existem mais de 1 milhão de hectares em diferentes estágios do processo de concessão na Amazônia, mas a expectativa é chegar a 10 milhões de hectares nos próximos anos. Nessas áreas em que haverá o uso sustentável da floresta, será necessário contratar funcionários, principalmente locais. Mais de 80% da mão de obra das concessões têm sido recrutada nos municípios onde está a área concedida.

Na terça-feira, 5, um encontro em Belém (PA) promovido pela Fundação Roberto Marinho e pelo Fundo Vale reuniu governo e entidades ligadas ao manejo para discutir as perspectivas do mercado florestal e recolher recomendações para o projeto de educação para o manejo.

ENSINO - A ideia do projeto é usar a metodologia dos telecursos da Fundação Roberto Marinho para tratar do manejo em escolas da região Norte e, assim, despertar vocações e mostrar as possibilidades profissionais em atividades sustentáveis na floresta.

Além do ensino à distância, está previsto o treinamento em campo de extensionistas para difundir as técnicas do manejo entre comunidades. Com esta ação, o projeto pretende aumentar o número desses trabalhadores na região Norte. Segundo dados de 2006, foram formados menos de 60 técnicos florestais na Amazônia.

Os benefícios da qualificação profissional tendem a se refletir na eficiência do trabalho na floresta. Um motosserrista com qualificação, por exemplo, saberá como fazer o corte com o maior aproveitamento do volume de madeira e, para isso, usará técnicas que aumentam a sua própria segurança na hora de realizar a extração,. "Um profissional treinado aumenta o rendimento da atividade florestal e, por consequência, diminui a pressão sobre o recurso florestal", afirma Hummel.

A previsão é de que o projeto Educação para o Manejo Florestal tenha início ainda em 2011 com apoio do Fundo Vale, que atua em parceria com instituições públicas e organizações do terceiro setor em ações estruturantes e transformadoras, que conciliem conservação e uso sustentável dos recursos naturais.


FONTE: http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=5164